domingo, 26 de abril de 2009

Topor, aceitação, desafio.

Atenções indevidas às palavras são dispensadas neste dia tão incomum após o entendimento; inebriante em sua cavalgada, atingiu-me por completo ao pôr-do-sol.


O que fazer se só o que resta é o fio de esperança que escorre como areia incandescente?



O que dizer quando tudo perde o sentido e a única chance de certeza é o fio de voz que insiste roucamente em sair?



Como entender que, mesmo consciente, sabendo dos riscos, aceitando os desafios, acreditando na possibilidade, antevendo, talvez, um futuro que nunca chegará... Como entender que não houve culpa? Explicar que o corpo pede e a gente se entrega? Como ver-te com a antiga serenidade? Com a mesma inocência? Com a mesma fraternidade?



Os sorrisos, ontem alegres e intransigentes, hoje são amarelos; não pleo tempo, mas por motivo tão simples que é plausível entender o porquê deste medo que afeta tua alma.



Expressões tímidas acompanhadas por conversas adultas revelam o saber latente que teimava em se esconde ante o medo da perda iminente.

A razão, prevalecente sobre a emoção, uma vez mais se ajoelhou perante nossa realidade expressiva e furiosa.



O que o nascer da lua reservará para estes mares insólitos que são nossos corações?



Já que se descortina a fumaça que revela o campo árido, recolherei minhas armas, embainharei minha espada sedenta por vitória para que não mais se conflite com internas sensações.



Resta apenas recolher-me no pacato refúgio em que se tornou teu ser; e, como ode a personificação do teu viver, desbravarei com lágrimas este tortuoso caminho no qual nossos corações se cruzaram, tocaram e reconheceram.



Incrível como os acordes são tão dissonantes após o alívio enaltecido pelo entendimento.



Como construir em tal castelo de areia?

Em tuas mãos

Ando sem saber o que fazer, o que falar, o que sinto...
O medo e a impotência são tão reais; assustam tanto...
Qualquer sopro me levará daqui e meu desejo é que me levem para perto de ti... mas desejos custam caro.
Apenas o teu ser... sou tão pouco, tão pouco...
Estou enlouquecendo.
Quando estiver ao teu lado, finalmente serei maior...
Pequena menina,
Ouça-me clamar por ti.
Escute esse conceito,
Definido por sujeito
Em futuro imperfeito.
Minha vida em teu seio,
Meu coração cheio;
Em ti, meu ser inteiro.
Desejo verdadeiro.
Deixe a noite cair sobre mim.
Minha solidão;
Minha escuridão;
Meu labirinto sem fim,
Deixe a dor...
Deixe a dor cair sobre mim...
Em um mundo sem razão
No qual não se acha solução,
Partindo do princípio
Eis aqui meu fim.
Então, cante;
Grite;
Essa é a tua vida:
Eis o teste.
A dor;
A peste;
O medo;
O desespero.
Dai-me apenas uma vez teu apreço.
A morte;
A falta de sorte;
A vida;
A lágrima perdida.
O mundo é obscuro e sem razão.
Dai-me esperanças...
A minha vida
Está
Em
Tuas
Mãos.
"Farei uma cabana de salgueiro em teu portão e meu espírito entrará na sua morada. Comporei canções de um amor proibido e cantarei insistentemente até mesmo na calada da noite!"

sábado, 25 de abril de 2009

O Repto

Quem quiser asselvajar o meu olhar;

Terá que descobrir onde eu escondo meu lado desumano;

Terá que convencer meu ego obscuro a se auto-estribar;

E cobrir de púrpura o meu eu leviano!


Quem almeja dilapidar as fronteiras que me dei;

Terá que me apresentar o que em mim eu ignoro;

E me fazer abandonar os cuidados que tanto diligenciei;

Terá que me ensinar a desprezar todo o perdão que até hoje imploro!


Quem pretende distorcer as minhas equalizações;

Precisará me circulunar e descobrir a minha lua oculta;

Terá que vestir de clangor as minhas solidões;

Terá que ludibriar a minha serenidade com uma proposta estulta!


Quem desejar manter um arsenal onde eu só guardo flores;

Terá que alimentar o meu olhar com um pão psicodélico;

Precisará evitar a concretização dos meus rumores;

Terá que converter meu paraíso em território bélico!


Muitos já tentaram confundir meus trilhos;

Muitos seduziram meu espelho a refletir o que não sou;

Tantos me disseram que sou escrava de meus estilos;

Mas nem a minha metamorfose até hoje me modificou!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Somniu

Vou embora para mundos perdidos,

para mundos sonhados, são apenas sonhos

de pessoas esquecidas que embora

tenham sido memórias, pessoas,

tenham sido trabalhos de horas

tantos mundos perdidos para sempre.

E nos sempre a ficar, para sempre,

são centenas de mundos perdidos,

de encolhidos desenhos, de sonhos,

de tristonhos escritos, vão embora,

são milhares de vidas, pessoas

que existiram aqui, certa hora.

Vou-me embora, mas volto... É hora,

vou ás geleiras, aos sonhos de sempre

o meu mundo resiste perdido

nos presentes de tantos sonhos!

Sou feliz no meu mundo, embora

as pessoas vêm manchá-lo... São pessoas.

São pessoas e só, são pessoas

que me largam ao vir certa hora,

e no fim não são pesos para sempre,

sei que sempre são todos perdidos,

iludidos, quebraram seus sonhos

e sem sonhos, suas crianças vão embora.

Muitos mundos me chamam, vou embora

e deixando memórias para as pessoas,

relembrando... por vezes... sem hora...

Inconscientes me levam para sempre,

em seus mundos insossos, perdidos

ou seus mundos de mundos e sonhos.

Esses mundos sonhados, tais sonhos,

são retalhos do que fora embora,

são paisagens perdidas, pessoas

que memórias deixaram, sem hora,

bem partiram para sem e para sempre

nos sonhos acabam perdidos.

São perdidos, são sonhos que embora

tais pessoas ignorem por hora

como eu, permanecem para sempre.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Chuva Oblícua


Tudo tem um início, prefiro as reticências.


A chuva não para. Olhando a sua forma, me perco.


Um filme repentino. É a minha vida.


Não tem importância. Não preciso fingir.


Caminho. Não existe nada ao meu redor.


Erros e acertos. Momentos traumatizantes.


É impressionante como se amadurece com o tempo.


As indagações passam a ter respostas. Até surgirem outras.


Só que agora, tudo faz sentido. Visão de 360º.


Mas só das coisas passadas. O tempo é o Senhor da Sabedoria.


É o único que acalma a dor e a saudade; absurdas em suas essências.


Só ele é capaz de nos tranqüilizar quando perdemos alguém que realmente amamos.


As grandes recompensas sempre são trazidas pelo Lord.


É responsável pelos julgamentos mais sensatos e pelos castigos mais justos.


Quanto mais perceptível é a sua passagem, maiores são os arrependimentos.


E o desespero bate, pois não sabemos o quanto dele ainda temos.


A chuva para. É como se eu tivesse acordado de um transe.


E tudo se embaralha mais uma vez.


Mas, o que são certezas e verdades absolutas mediante tamanha força?

(...).

Acredito no Grande Império do Tempo,

Porque eu cometo erros.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

"Já Amou?"


Conversando com o meu melhor amigo, Ted, ele me fez a seguinte pergunta:

- Se ama quantas vezes na vida?

E completou:

- Não estou falando em tesão ou desejo.

Pensei e respondi, usando a minha forma de encarar o amor:

- Já amei tantas vezes que perdi as contas. Amei de dia para esquecer a noite. Amei de noite para esquecer o dia. Amei alguns que me esqueceram. Amei outros tantos que nunca esqueci. Amei perdidamente, superficialmente. Amei simplesmente e também compliquei meu amor várias vezes. Amei sozinha e também fui amada. Amei muitos e a um só alguém. Amei tanto que odiei. Amei tanto que matei o meu amor. Amei de mais e de menos. Amei de chorar de tristeza e de felicidade; às vezes, simultaneamente... Acho que se pode amar de muitas formas, mas não se pode deixar de amar.

Em tom indignado, ele afirmou:

- Você nunca amou!

Sem hesitar, fui logo respondendo:

- Amei. Dentro de mim, era amor, ainda que ninguém entenda. Para mim é amor e amei a todos. Um amor do meu jeito. Se ele não é bom para você, nada posso fazer. Ele é bom para mim. Acho que é assim: cada um tem seu jeito de amar. E esse é o meu. Sei que pode ser o modo errado, mas quem pode afirmar que o seu é correto? Ninguém pode afirmar absolutamente nada quando se trata de amor! Não tem fórmula. Sente, vive e ponto.

Então, ele continuou:

- Amor acaba?

Pensei... balancei:

- Não. Ele se transforma em outra coisa: em ódio, amizade, em passado de saudade; às vezes, em vazio. É difícil quando vira vazio... não tem como preencher. Não dá para colocar alguém do nada; na verdade, não dar para pôr. No máximo, dá para pular o vazio e começar um novo amor sem esquecer daquele. Como casinhas coladinhas uma na outra, mas com coisas que a primeira edificação já não tem. O amor tem a capacidade de ficar quietinho esperando para doer ou reacender-se depois. Mas, morrer e ser enterrado... Ah, acho que isso não dá!

Me olhou nos olhos, fez um pouco de silêncio inquieto e mandou:

- Amar dói?

Respirei fundo e, sorrindo com os olhos cheios de lágrimas, respondi:

- Dói muito!

E pensei nos meus amores doloridos do passado e nos que faltamente virão. Perdi-me em meus própios pensamentos, revivendo coisas boas e ruins, amores vivos, latentes, mortos...

Em alguns minutos, encontrei o meu primeiro amor e sorri. Suspirei pensando no atual...

E despertei de minha viagem com a próxima pergunta dele:

- Então, por que se ama?

Acompanhada de todos os meus amores, com seus cheiros, sabores, cores, canções, poemas, histórias, gemidos, gritos, sussurros, silêncios, lágrimas, risos, mistérios, declarações, cantei:

- “Por que sem amor, eu nada seria.”

E por fim, ele disse:

- Eu te amo!

Sorrindo, respondi:

- Eu também te amo!

Perfil¹


Eu sou réstias de tantos ascendentes
de milhares de séculos perdidos
nos cordéis flamejantes, divergentes
do desejo de vida do ser vivo...
Eu sou filha da fúria do destino
desigual, vassalar e inconcebível
nos conceitos humanos, desatino
nos egoístas temores de um ser vivo...
Fora um feto formado de reações
fora um fruto em diversas conseqüências,
um resumo de tantas gerações,
um fermento de tantas divergências...
Fora antes projeto preservado
na ciranda de mortes, nascimentos,
resultado de fatos programados
no fermento do mundo e seus brinquedos!

Perfil²


A memória persegue meus rastros.

Por onde passo ouço os contos,

suas teses, teus reflexos.

Nas paredes brancas do corredor,

marcas das vozes,

ausências que o tempo não levou,

vestígios de um tempo que não passa.


Ações sem amor,

beijos sem pudor.

Os traços e os rostos ficam.


Caminhamos ao som de procurados que querem e procuram,

e procuram...

e encontram

ou não.


A lua deixa marcas

e a noite revela detalhes imorais.

Os olhos derramam sedução

que escorre rubra manchando léguas de juízo perfeito.

Com aqueles olhares gêmeos

que dificultam o óbvio

e que não dão tréguas.


Já não se tem a medida da ilusão,

pois aquelas palavras,

versos

e nomes vãos

convencem e trazem danos profundos

e lendas imaginárias.


Ficamos à vontade com o vazio das esquinas,

com o consolo da dor,

com a desordem das manhãs

e com tudo que fica da tarde.


Longa-metragem inacabado,

cicatrizaes do orgulho,

suor por entre os corpos,

admirável monotonia.


E falam,

e contam,

e ouvem,

se calam.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Você, a Chuva e eu

" DEPOIS DA TEMPESTADE O CÉU VOLTA A SER AZUL,
O SOL A BRILHAR, E A MINHA POESIA A SER MAIS FELIZ..."


Era escuridão na mente


o que eu tentava entender,


mas logo ao amanhecer


tudo ficou diferente:


o seu sorriso contente


a sussurrar no ouvido


incrementou meu sentido


e o que eu toquei virou doce.


É como se você fosse terra


e eu tivesse chovido.



"ESTA CHUVA ESTÁ LAVANDO A NOSSA VIDA

ESTÁ LEVANDO VOCÊ PARA A POESIA

E ESTÁ QUERENDO ME CARREGAR"



A chuva cai como lágrimas


Meus olhos a observam pela janela


O frio me abraça, como se me consolasse,


E me envolve como se me amasse!


A chuva me contempla com superioridade


Tem o limite e o poder de ir e vir


E sabe que no meu íntimo, bem aqui,


Eu queria estar no lugar de suas águas!


Cada gota que cai é um segundo que te busco


É uma eternidade de ausência e vazio


Deixo minha mão ser tocada pela água,


E sinto meu corpo ser banhado por você!



"VOU NO VENTO

VOU NAS ONDULAÇÕES"



Vi o vento... o tempo...


A fala... a cara... a tristeza...


A dor... a sorte... a morte...


A incerteza... a indefinição... o desgosto...


A preocupação... o corte... a dor...


Dor de estar perdida, consumida pela responsabilidade dos dias


A tristeza das noites, curtas para tudo que preciso.


Tenho que viver dicotomizada.


Tenho que ser "ótima" em tudo que faço.


Sou apenas humana, reles humana.


Minhas crias molham-se na na chuva,


Resfriam-se no vento,


Perdem-se no caminho...


Qual o caminho?


Amá-los não é suficiente!


O que fazer?


Onde vamos chegar?


Esse cheiro me consome,


Destrói pelo seu poder!


Sinto-me frágil, sem saber como agir...


Se eu pudesse... carregava-te no colo...


Acariciava-te até passar tudo... tudo...


O que é tudo? Não sei, não sei.


Desejo uma luz... mesmo de lamparina.


Qualquer coisa que me mostre um caminho...


Andar, agir, seguir.


Chegar, sumir, desaparecer.


Chega, cansei de chorar!


De lutar... de querer...


De viver... estou exausta...


Dominada e impotente.



"A TEMPESTADE QUE CHEGA É DA COR DOS SEUS OLHOS CASTANHOS"


sábado, 18 de abril de 2009

Absinto


Corrompo, Sou Absinto, Sou Profana!
Misturo teus anseios, desejos e fome...
Idolatro teus pensamentos, com ciúmes do teu Tempo,
Faço temporal para chamar-te atenção,
Excomungo todos os Deuses,
Consagro nosso Ritual de Paixão.
Seduzo-te em meus risos, te embriagando no meu veneno.
Meu beijo tornou-se Escravo de tua boca.
Ame-me; queira-me. Nada presto; tudo exijo.
Queime-te em labaredas da minha nudez,
Afogue-te em meu desvairado e selvagem sexo.
Banalizarei seus antigos amantes... fugaz serão suas lembranças.
Real serei Eu; somente e apenas Eu.
Não Duvides. Sou Inferno em enchente,
Cama cheia e mesa farta, sou Eu.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Entre Máscaras


Sim, eu me escondo em máscaras!

E não me importo com o que você pensa disso.

Eu sei que preciso delas para viver neste mundo

que tanto me fere a alma.

Esse mundo que esquece

que dentro desse peito bate um frágil coração poeta

que só lhe pede um pouco de amor.



Uso máscaras porque por detrás delas

eu choro, grito, sofro e ninguém vê nem ri

dos meus desatinos e devaneios de mulher.



E não me venha com a hipocrisia

de dizer que eu deveria expor meus sentimentos,

porque eu os expus tantas vezes para você

e só levei feridas de volta.

Fostes o primeiro a atirar-me a pedra

quando vacilei entre ir e ficar.



Sei que me dirás que sou covarde me escondendo.

E talvez eu seja mesmo.

Mas, prefiro a minha covardia consciente

a uma coragem fingida e frágil.



Sim, eu me escondo em máscaras!

E ando pelos cantos das ruas,

me refugio na noite, habito na escuridão.

Fiz da Lua minha amiga

e converso com estrelas.

O orvalho me beija o corpo

e o mar lambe minha pele.

Meus amantes!



Sim, me escondo em máscaras.

E já nem lembro que rosto é o meu.

Se o que ri ou se o que chora.

Se o que mostra ou o que esconde.

Se o que ama ou o que amaldiçoa...

À Leitora


Se sentes que minha poesia te toca,


Roubas para ti minhas palavras;


Fazes tua a minha fantasia;


Fazes teu o meu amor;


Fazes tua a minha dor.


Sou eu aqui, crua,


Entregue, alma desnuda...


Apenas tua.


Se minhas torpes linhas


Te traduzem algo,


Cries nosso dicionário tradutor,


Pois minhas mal traçadas linhas


Traduzem o que minha boca


E meus olhos escondem;


O que meu coração segreda;


O que meus sonhos encerram.


Então, sinta-se à vontade e


Seja bem-vinda ao nosso mundo!

Liberta-me!


...desse meu querer tanto!

Sonhas e tropeças

Em minha lembrança...


Sou a névoa que paira

Ora alegre ora triste

Entre ti e o mundo...


Agora, liberta-me

Desta tua loucura!

Mas... faça lentamente...


Oh, sim, leve muito tempo...

Tempo esse que preciso

Para viver...


... para ser feliz porque

Até nisso somos iguais

Loucas idênticas!


Liberta-me...

Assim... bem assim

Soluçando e sangrando


... querendo-me

E me punindo

E me querendo!


Liberta-me em cada

Pensamento teu...

Me veja na chuva


...como te vejo

Nas nuvens que passam

E não param...


Como me sentes

Em cada poema

Que canto e que escrevo


... que escrevo, que ouço.

Em tudo tu estás!

Liberta-me...


(...)


Somos poetas...

E de tanto fingir o amor,

Por ele enlouquecemos...

Órbitas das Perturbações

coexisto
no epicentro latente do caos
ignoro a multidão
estou só no torvelinho
do aqui e agora

copulo
na maré vazante dos conflitos
abuso do tempo
e já não sei dos barcos
das pontes dos peixes

coabito
na órbita prematura das perturbações
penetro no acaso
que tece a malha confusa
de meus dias sombrios

coagulo
no equinócio mecânico das frustrações
arrasto o vazio
sigo eu
e meu velho desespero.

Pessoas Felizes

Felizes as pessoas, são todas felizes
janelas por brilhar nos prédios, que são vidas
distantes a luzir, são vidas refletidas,
são belas fantasias, são todas boas atrizes.

Mas neste mundo cinza imerso em pesticida,
as luzes por brilhar são todas meretrizes
perdidas, se cortando, escondem cicatrizes
fugindo do terror de serem percebidas.

É tudo propaganda, entenda a brincadeira,
são proles ao cantar o fel mais hedonista,
sorriso de amarela estampa corriqueira.

As luzes a encantar são apenas... é só luz!
que ainda vai apagar, sumir vai... da vista!
Tal vida que está lá e no fim nada produz.

Menina Esquisita


Uma menina esquisita e doidinha,


Imaginando a paixão que perfeita.


Nunca aparece à ilusão tal se enfeita.


No romantismo, a enfadonha... a vidinha.



Ela tão cega esperando quietinha,


Composição a tocar e confeita


Com emoção a sonhar; A Imperfeita.


Sua rotina e sua vida: A Sozinha.



Fica sonhando em seu quarto a compor,


Sempre em seu quarto e lá fora a escutar


Fica o Vazio, com o seu tempo a passar...



Vive sonhando em um mundo de torpor,


Com o universo a lhe atropelar


Com seus ouvidos em um lá... lá, ri, lá...

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Promessas


Não me prometa o que não pode me dar.

Não é justo comigo.

Não é justo com você.



Não fales de sentimentos nos quais não acredita.

Não faz bem para mim.

Não faz bem para você.



Não procuro ilusões;

isto, construo sozinha.

Não preciso de suas mentiras.

Também não lhe ofereci falsas vontades.

Você não precisa delas para seguir o seu caminho.



Falarei, sim, de nós duas por uma noite.

Porque esse é o tempo que temos,

para que nosso amor seja real.



E quando sairmos daqui,

eu só levarei lembranças do que foi,

talvez, um pouco de vontade de que tudo torne a ser,

mas nunca a certeza de que somos.



Não é justo com você.

Não faz bem para mim.

Hoje


Hoje Eu estou muito cansada para ser obstinada.

Podes aproveitar-se da minha apatia

E falar tudo o que sempre quiseste.

Eu não retrucarei como de costume

E nem iniciarei uma batalha verbal e sem sentido.


Hoje Eu estou muito cansada para ser irascível.

Fale, eu quero te ouvir...

Aproveite o seu momento de glória

E coloque para fora todas as mágoas que guardastes em te coração.

Prometo fazer do meu silêncio a minha confissão.

Culpada, admito tudo o que quiseres.

Culpada, por todos os erros que não cometi.


Hoje Eu estou muito cansada para ser indolente.

Muito cansada...

Aproxima-te,

Toque em meu corpo frio

E assista meu desfalecimento...

sábado, 11 de abril de 2009

TCHAU!!


Me cansei dos teus desenganos

Não entendo a tua fala

Nossa casa está vazia

Hoje à noite é o meu dia...

Nossa vida virou novela

E eu não sou nenhum personagem

Que se enquadre em teus delírios

Quero andar nas ruas e sentir frio

No calor, quero estar sozinho...

Me cansei das tuas mentiras

Eu não quero esse dia-a-dia

Não consigo fazer promessas

Tenho apenas o que me resta...

O teu jeito não me abala

Não me sinto bem no teu jogo

Vou voar mais alto que as nuvens

Entender de vez esse meu vazio

Te encontrar para não ser sozinho...

Tudo é sempre a mesma coisa

O mesmo jeito, toda vez

Tudo é muito relativo

E a distância já nos fez

Somos serra e litoral

Nosso final é simples:

Tchau!!!


De: Catedral

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Os Feridos


Dancemos as danças dos loucos

girando cirandas e aos poucos

cairemos na própia loucura

quebrando as cabeças, fraturas

que sempre estiveram presentes

fantasmas, flagelos dormentes.

Pisemos nas poças mais sujas

girando, e o dançar sobrepuja

camisas de força dos homens

tão sérios, maduros que somem

na massa de peso do mundo,

seremos melhores, vagabundos.

Dancemos a própria desgraça

tampemos com grades, mordaças

correntes de riso, cantemos

matemos o iso e seremos

os lobos nos campos gelados

caçando na noite, indomados.

Na dor, choremos tão perto

na dor abraçados, cobertos

na força das unhas que entrando

na pele e na carne passando

rompendo pedaços de nós

sabendo que estamos tão sós.

No peso do mundo riremos

tentando tampar em um esmo

que tanto de corda nos dá,

porém, nem sabemos se há

motivo que cause os efeitos

de tantos tormentos no peito.

Que gritem e chorem e dancem,

se somos as vitimas, dane-se.

As chagas, os sóbrios nos dão

culpados de tudo que são.

Vaguemos perdidos em ordas

banidos, bonecos sem cordas.

Vaguemos: os quadros manchados,

meninos selvagens e os ratos,

romances violados, senhores

de mundos sonhados, horrores

em traumas, uns tais esquecidos,

mendigos.Em suma, os feridos.

Pois, todas as chagas que temos,

que deixam sequelas profundas,

é culpa dos sóbrios, na imunda maldade dos termos.

Misericórdia


Agora está feito, porque ser corajoso?



Não há mais sorrisos, nem mais lágrimas



Não há mais orações, não há mais medo



Porque continuar se nada resta



Quando seu amante tiver partido



Com um estrondo



Tocam os sinos



Pelas cidades e fazendas



Será que o barulho dos sinos



O trará de volta aos meus braços



Por que eu devo viver desse jeito?



Deveria esperar pelo tumulo?



Para meu amado o ultimo beijo?


Parem o sino! Parem o sino!



Eu não tenho mais lágrimas para chorar



Eu deveria ficar aqui no inferno?



O senhor lá de cima, deixe-me morrer...



De: Edith Piaf

O Bilhete


"E daí que não deu certo? Ninguém nunca disse mesmo que era pra sempre. Na verdade, dissemos sim, eu e você, por diversas vezes até. Mas talvez fosse um 'pra sempre' incompleto ou quem sabe ele fosse tão diferente quanto nós.
Aprendi com a nossa estória que os 'fins' nem sempre são trágicos ou dramáticos como nas minhas melodias que você nunca gostou de verdade.
Somos tão diferentes, porém tivemos coragem de tentar. Acertamos nos números, e alguém errou na hora de jogar os dados. Sempre achei que um deles tinha ficado dentro da sua mochila.
A paixão - ou seja lá o nome que isso tem - deve mesmo ter prazo de validade. Ao menos ele é maior do que a garantia de vários produtos que a gente compra por aí; pena que não é uma SempToshiba!
Se vou sentir saudades? Claro que sim. Esse jeito dócil e meigo me fará tanta falta quanto o meu AllStar velho,sujo e rabiscado que voce tanto odiava. Só que isso não é motivo para uma segunda chance (ou seria a 15ª?).
'E os nossos planos?' você perguntou com lágrimas nos olhos. A questão é que eles se tornaram muito apertados e agora não me servem mais; são como um AllStar antigo, 3 números menor."

De: Mariana Diniz

Eu sempre amarei você.



Se eu pudesse ficar


Eu só te atrapalharia


Então eu irei, mas eu sei


Eu pensarei em você


Em cada passo do caminho


E eu… sempre amarei você


Doces, amargas lembranças


São tudo o que eu levo comigo…


Então, por favor não chore


Nós dois sabemos que eu
não sou o que você precisa


Eu espero que a vida te trate bem


E eu espero que você tenha tudo


Tudo o que você sonhou para ti


E eu lhe desejo diversão


E felicidades


Mas acima de tudo, eu lhe desejo amor





De: Whitney Houston