terça-feira, 14 de julho de 2009

Realidade

A minha namorada, pedaço de rosa,
a boneca de tanta beleza,
era verso, também fora prosa
que mostrava com tanta destreza.


Mas não vale ter a inteligência,
se consigo mesma a conciência
bem lhe faz ser fraca ao seu impulso,
aos seus atos tantos tão confusos.


A minha namorada, pedaço de tudo,
o universo pousado em seu colo,
um amor perfeito e como tudo
,vai ser dor ao cair frio nesse solo.


Mas não vale assim só, se envolver,
no inseguro jogo metabólico,
as aminas sempre irão vencer
quem é fraco no campo lógico.


A minha namorada, fracasso no jogo,
perdeu-se, fácil pelo logro
do etanol... Fácil o proveito,
para todos, tal desse jeito.


Os amigos são falsos bem quando
a vantagem permite vitória
hedonista demônios se usando,
sem deixar um registro em memória.


A minha namorada de certo contou,
a inocência quebrada aos frangalhos,
e segundo a sua certeza, só uns malhos
acorreu e mais nadinha se ousou.


Mas seus olhos mostravam mentir,
como sempre não teve certeza
e esperava assim se iludir...
Não foi a única vez, nem primeira.

Apenas hoje...

Não diga o que devo fazer!
Não me mostre o que não quero ver!
Apenas sente-se ao meu lado, ouça essa canção.
Escute-me, não diga nada, não quero soluções.
Pela janela vejo as luzes, lá longe alguém canta.
Por isso não diga nada, apenas escute-me, preciso desabafar.
Não diga o que eu não posso fazer, não diga o que não quero ouvir.
Apenas hoje...
Finja que entende o que eu digo, finja que escuta o que eu falo.
Não vá embora caso eu tenha uma crise, olhe nos meus olhos, mas não diga nada, qualquer palavra, e toda magia acabará.
Apenas passe as mãos pelo rosto, segure meus cabelos, me beije, não sussurre nada em meu ouvido...
Apenas hoje... Vamos fingir que nada mudou.
“Mais do que palavras”, sem a interrupção do ontem nem do amanha!

Perdão!

Eu não queria dizer aquilo, mas saiu.
E ai? Não posso mudar o passado.
Há essa hora minhas palavras já não me pertencem, pertencem ao mundo.
Mas o que eu posso fazer a não ser te pedir perdão?
E o que pior tu podes fazer a não ser me odiar?

Querer... eu não queria!

Mas tive que seguir, mesmo sem saber onde iria chegar.
Apenas não queria percorrer caminhos já trilhados.
Não queria somente chegar onde outros chegaram.
Queria mais... Queria o meu próprio caminho,
Pisar onde ninguém havia pisado,
Sentir o que ninguém havia sentido.
Não sei se alguém encontrou a trilha que deixei...
Mas eu encontrei o que queria!

É a vida...

Me acorde, mãe! Meu mundo e cobertor
é o vasto, mãe, não importa que o rancor
do asfalto corte os olhos que contenho
eu tenho ao vasto, estrelas... sim! Eu tenho!
Me acorde, mãe! O lençol azul e densso
de mares frios, de nuvens... Tais condenço
dobrando em bol leve, que de ar,
eu posso ver por trás, estourar...
Mãe, a infância toda fora pelo esgoto,
as suas estórias foram no meu rosto.
Ficaram pregadas, como foram depois
uns tantos livros; aulas mais... depois.
O mundo cruel que vejo, no qual vivo,
de gelo e de sol, na dor com a qual convivo
no breu e na luz também fui bem feliz...
Mãe, eu sou feliz assim... Eu sou feliz...

Nosso Lugar.

De onde vem essa tristeza?
Vem tão devagar
Traz lágrimas para os meus olhos
E palavras para os meus versos
E uma vida inteira passa por mim...
Muitas lembranças; não consigo aliviar
A saudade qeu tenho delas.
Por hora farei uma prece
Para todos vocês, queridos amigos.
Não posso vê-los ou tocá-los
Mas mesmo quando nos amarram,
Não nos podem impedir de sentir.
E o amor me mantém viva.
Amor é esperança.
A mais louca e absurda esperança
De ter algum dia
O que não tenho agora...
Quando encontramos nosso lugar,
É fácil ver o que incomoda.
E então, choramos,
Por que éramos felizes.

Meu nome é Dor!

Eu sou a criança feia que o mundo rejeita. Sou a angústia e o rancor. Eu sou dor. Sou a voz muda que em silêncio chora a humilhação. Sou a dormência da vida, a vida vazia, o olhar sem vida. Eu sou dor! Sou a companhia mal acompanhada. Os sonhos de quem já não acredita em nada. Sou a solidão e o medo do amanhã que, juntos, se suicidam pela madrugada. Sou assim, o apelo pelo fim, o fim que nunca chega antes da última esperança desacreditada. Eu sou aquela que não acredita mais no amor, porque sou a dor. Sou a filha que a mãe rejeita. O rosto que a falsidade beija. Sou incompreensão que a compreensão descarta. O apagar de uma estrela. O vinho que entorpede a consternação, quando tudo que se tem é ilusão. Mas, no final, sou apenas aquilo que se descarta por não ter valor. Muito prazer, meu nome é Dor!

Meu nome é Luto!

Sou o luto de um amor proibido.
O luto e as lágrimas que a distância faz correr quando se perde uma irmã, uma amada, uma amiga!
Sou o luto de quem viu sua esperança ser a primeira a morrer.
O luto, que em luto, tenta juntar forças para lutar contra o mundo.
Isso já não é mais absurdo!
Sou o luto que queima com a vela, que vagarosamente dá espaço a escuridão.
Sou o luto do amor amado, mas ausente.
Sou sempre o ausente.
Nunca o presente.
Mas, quem haverá de sentir saudades da gente?
Me chamem assim: Luto!
Não preocupe-se comigo mais do que eu mereça.
Deixarei tudo com está.
Levantarei a cabeça.
Deitarei, dormirei...
Quem sabe ali, ela venha...
Quem sabe ali, os abraços e beijos não sejam reprimdos.
Quem sabe, no meu mundinho, o amor seja livre...
Isso não é o fim.
Apenas viramos a página.
Apenas, meu amor.
Você estará lá,
Eu continuarei no mesmo lugar de sempre.
Estarei esperando,
Estarei rezando,
Estarei como sempre estive... te amando.
Mas, até lá, não diga meu nome pelas ruas em voz alta,
pois meu nome agora é Luto.
E, Luto causa pesar.
Apenas lembre-se de mim como
Alguém que de passagem chegou em sua vida,
Mas teve de partir antes da aurora.
E, antes mesmo do alvorecer,
Estarei perpetuamente, ainda que não vejas,
ao teu lado!

Rima e Poesia

Inverta-me,
Vire-me do avesso e, ainda assim,
Encontrar-te-ás refletida em minh’alma.
Em emoções, embaraça-me a pele;
Em êxtase, desfaleço e renasço.
Nas linhas que o tempo deixou-me usar
Repouso meus sonhos em teus braços de amor.
Em ânsias tão almejadas,
Eis o ninho de minhas utopias.
Colho teus sorrisos!
Traga-me a melodia suave do teu sentir!
Embrenhando-me voluptuosamente em teus segredos,
Desfaço-me de meus medos.
Atenda aos apelos de minh’alma em desassossego,
Resplandeça no poente de minha esperança renascida,
Faça-me rima e poesia.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Do Nada ao Tudo

...Hoje vejo que sou meramente Nada,
Um Nada aprendendo Tudo,
Absorvendo o mundo,
Achando caminhos...
Foram-se meus dias de Inverno,
De auto-proteção,
De refugiar-me em mim mesma,
De omitir das minhas veias
O fogo que corre no meu gelo.
Com toda a tua gentileza
Retiraste a carapuça dessa Ermitã,
Fizeste-me Fogueira...
Liquidifiquei-me:
Do gelo efêmero ao vapor.
Do líquido ao fogo,
Tuas palavras ali,
Derretendo minha geleira,
Aquecendo o meu Inverno
Com fogo,
Com amor.
Do Nada ao Tudo.
Preciso de ti.